O dia de ontem foi marcado pelo desabafo do vice-governador Ricardo Ferraço e também pela fuga do governador Paulo Hartung, ambos do PMDB. O primeiro acordou, preparou sua artilharia, mirou no segundo e disparou sem dó, enquanto ele corria e tentava se esconder de qualquer forma dos tiros. A guerra está declarada dentro do Palácio Anchieta.
Uma briga de titãs. De um lado, o imperador. Do outro, seu principal súdito, usando as armas que sobraram para sobreviver: os sentimentos. Em um misto de revolta e solidariedade, Ferraço reuniu cerca de 70 militantes do PMDB para disparar contra Hartung. Até processo contra o governador foi cogitado.
O vice-governador chegou na reunião acompanhado pelo prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), e pelo presidente estadual do PMDB e também ex-vice-governador da gestão Hartung, o deputado federal Lelo Coimbra. Há quem diga que os três têm algo em comum, por serem do mesmo partido do governador: Lelo não recebeu apoio na disputa pela prefeitura de Vitória; Zanon também não o teve na conquista de 2008 e; o terceiro vocês já sabem.
Ferraço disse em seu discurso que o mês passado foi um “abril sangrento” e que o “fogo amigo” o corroeu. Essas entre outras declarações foram interpretadas rapidamente como um rompimento público com Hartung, que na última quarta-feira declarou apoio ao senador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo governo. Gesto que seu vice esperava há sete anos.
Enquanto a reunião do PMDB acontecia, Hartung estava com Casagrande em um almoço da AmCham. Assim que eu cheguei no local, todos já sabiam das declarações de Ferraço via Twitter e rádio. No entanto, nada parecia abalar o apetite dos dois.
Assim que o evento terminou, Hartung saiu rapidamente e não falou com a imprensa. Na porta, o aguardavam, o secretário de Transportes e Obras Públicas, Neivaldo Bragato, e o vice-prefeito de Vitória, Tião Barbosa, que estava na reunião do PMDB.
Seguiram para a posse de José Antônio Pimentel no Tribunal de Contas (TC-ES), onde Hartung saiu escoltado por seguranças e também não reagiu aos disparos de Ferraço. Mais tarde, após a solenidade de recondução ao cargo do procurador-geral da Justiça, Fernando Zardini, o governador saiu pelos fundos do Centro de Convenções de Vitória e silenciou de vez.
O problema é como reagir diante do desmoronamento de quase oito anos de gestão bem avaliada, união de forças políticas e “relações republicanas” com os demais Poderes do Estado? Visto como um articulador com talento para unir forças, Hartung passou a carregar a imagem de destruidor dessa união. Aguçou a ira de algumas lideranças e maio tende a continuar sangrento.
- Hora certa. Colaboradores mais próximos de Hartung acreditam que seu silêncio não vai durar muito. Pode ser que não chegue até amanhã.
- Roleta. O jogo virou no mercado político e o PMDB que tinha candidaturas com chances de vitória para governador e senador, agora não tem quase nada. Arrisca não ter nem mesmo candidatura ao Senado.
- Flagra. Mais um clique do fotógrafo Marcelo Andrade
para o blog. Na foto, o deputado federal Carlos Manato (PDT) e o arcebispo de Vitória Dom Luiz Mancilha, no lançamento do Programa de Transparência e Ética na Política (Prete), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES).
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