quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Apostando na juventude

Depois de se tornar a grande estrela da campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a internet promete ser o grande destaque das eleições de 2010 no Brasil. As executivas nacionais dos partidos têm investido pesado em ferramentas para invadirem a rede.

Segundo dados do IBGE, nos últimos 90 dias, 61% das pessoas que acessaram a internet no Brasil são jovens com idade entre 16 e 24 anos. No Espírito Santo, esse público, com a mesma faixa etária, no plano eleitoral representa 440,7 mil votos, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nos últimos dias, tivemos algumas demonstrações aqui no Estado de que nem todos os políticos estão preparados para lidarem com essa nova ferramenta, a internet. Nova para a maioria deles, pois para esses jovens é parte do cotidiano.

Um estudo do Núcleo de Pesquisas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), realizado pelo professor Eugenio Giglio, junto a 576 jovens de 16 a 25 anos pela internet, mostrou o perfil da relação do jovem brasileiro com a política.

Desse total, 66% iniciaram ou ainda cursam o ensino superior e apenas 3% têm o ensino médio incompleto. Com relação à crença, 37% são católicos e 34% declararam não ter religião. Os evangélicos ocupam apenas 10% desse público.

Já com relação à política, 47% afirmaram ter começado a votar antes dos 18 anos e 78% garantem que não deixaram de votar em nenhuma eleição. Sessenta e nove por cento são contra o voto obrigatório, mas se não fossem, apenas 2% disseram que compareceriam sempre às urnas.

Quando perguntado como esses eleitores buscam informações sobre seus candidatos, os debates estão em primeiro lugar, com 23%, seguido da internet, jornais e revistas, que representaram juntos 38% das fontes buscadas. Já 13% procuram referências em outras pessoas para escolher em quem votar.

Os critérios para a escolha do candidato, para 54%, passam pelo histórico do político e vai até suas propostas. Dos que votaram nas últimas eleições, 65% se lembram do representante escolhido. Desses, 55% afirmaram acompanhar as ações dos eleitos.

Um dos grandes desafios dos políticos diante desse público jovem, que pode render excelentes resultados nas urnas, é conquistar sua confiança. A pesquisa da ESPM perguntou ainda qual palavra define a opinião deles sobre os políticos. No topo do ranking o trio: ladrão, corrupto e desonesto. A meta é tirar isso da cabeça deles, mas para que isso aconteça, na internet, tem que inovar e ter muita criatividade, além de estar alinhado às linguagens próprias deles. Boa sorte!

  • Alfinetadas. Do secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha, Octaciano Neto, em seu Twitter: “Enio Bergoli, que era o Secretário da Segep (Secretaria Extraordinária de Gerenciamento de Projetos), foi escalado por Paulo Hartung (PMDB) para recuperar o tempo perdido da Seag (Secretaria de Agricultura).”
  • Negociação. A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa finalmente vai instalar uma comissão para debater o reajuste de 11,98% dos servidores da Casa. Todos os servidores dos outros Poderes já receberam.
  • Mediação. A comissão será formada por três servidores e terá a mediação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
  • Clima. Foi lida no plenário da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda à Constituição, de autoria do deputado Rodrigo Chamoun (PSB), que trata das mudanças climáticas e de políticas contra o aquecimento global.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Prévias

O Dia de Finados, sempre chuvoso, concentrou os internautas na rede ontem e revelou as prévias do que será a próxima eleição no que diz respeito ao uso da internet. Houve farpas para todos os lados no Twitter. E até ameaça de processo.

Tudo começou quando o jornalista de A Gazeta Leonel Ximenes postou em seu microblog que o prefeito de Vila Velha, Naucimar Fraga (PR), era o único morador que não estava sofrendo com as chuvas, pois estava na China (foto).

Neucimar então tentou mandar uma mensagem direta para o jornalista, mas por um erro no uso do Twitter ela foi publicada: “Se insistir no tratamento pessoal, poderemos conversar no Tribunal.” Foi o suficiente para a ONG Transparência Capixaba e o Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo saírem em defesa de Leonel.

Em seguida, dezenas de jornalistas começaram repetir a mensagem de apoio do sindicato em seus microblogs. Como o colunista de A Tribuna Rafael Guzzo escreveu, foi um tiro no pé, pois a maioria interpretou como um atentado à liberdade de expressão. Leonel é morador de Vila Velha e postou também diversas consequências que as chuvas trouxeram para seu cotidiano.

O ex-juiz eleitoral e advogado Gustavo Varella foi além: “Nosso apoio a Leonel Ximenes. Criticar profissional que fala a verdade é coisa de débil mental ou despreparado... É só escolher!”, escreveu ele em seu Twitter. Neucimar se defendeu da onda de solidariedade ao jornalista. “Tenho direito a reagir contra perseguição pessoal e inverdades atribuídas a mim”, postou ele.

Depois de todo o embate, que não se limitou ao prefeito, mas envolveu ainda vereadores e secretários, fica a dúvida se os políticos estão preparados para usar a internet.

Alguns contratam assessores especificamente para cuidar de suas redes sociais, enquanto outros preferem estar à frente da situação. É aí que mora o perigo, pois não tem assessor para mediar o que será dito. Basta sacar o celular, mandar 140 caracteres para o Twitter e pronto.

É uma oportunidade de conhecer melhor o perfil deles, mas pode ser uma ameaça para a própria imagem. Lembram de quando o senador Aloízio Mercadante (PT) anunciou que deixaria a liderança do PT no Senado pelo Twitter, dizendo ser em “caráter irrevogável”? Logo depois levou um puxão de orelha do presidente Lula e voltou atrás.

É para esses escorregões que as autoridades devem ficar atentas. A internet é a bola da vez nas eleições de 2010 e dominada pelos jovens, que conseguem fazer grandes mobilizações por meio da rede, tanto para o bem, quanto para o mal.

  • Análise. Vale a pena ler ainda a análise do doutor em Comunicação e Cultura, Fabio Malini, sobre o caso envolvendo o prefeito Neucimar Fraga n o Twitter. Para ler clique aqui.
  • Pesquisa. E por falar em jovens e internet, amanhã apresento para vocês a pesquisa “Os jovens e a política”, realizada pelo Núcleo de Pesquisas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro, realizada pelo professor Eugenio Giglio.
  • Adesão. O movimento pelo reajuste de 11,98% dos servidores da Assembleia Legislativa do Espírito Santo ganhou na manhã desta terça-feira a adesão de outros sindicatos. Os servidores do Legislativo fecharam a entrada do órgão, mas os comissionados entravam pela garagem tranquilamente.
  • Trator. A história do trator de Águia Branca (foto), da comunidade de Massucatti, deve render mais esta semana. O Ministério Público mandou a prefeitura devolver a máquina para os produtores rurais em 10 dias.

  • Entrega. Enquanto isso o governador Paulo Hartung (PMDB) marcou para a próxima quinta-feira a entrega do trator para a comunidade, juntamente com o deputado estadual Luciano Pereira (DEM), que afirma ser autor da suposta emenda roubada pelo ex-titular da Secretaria Estado da Agricultura e presidente regional do PSDB, Ricardo Santos.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O segundo ato

Arquivo. Esse será o destino final da denúncia contra o deputado estadual Robson Vaillant (DEM) na Corregedoria Geral da Assembleia Legislativa. Depois do caso do deputado Freitas (PSB), que também foi arquivado, este será o segundo ato no picadeiro do circo que se tornou aquela Casa.

O democrata, que é carioca, é acusado pelo Ministério Público de empregar parentes que moram no Rio de Janeiro, a empregada doméstica e funcionários da Igreja Universal (da qual era pastor) em seu gabinete. Ele nega tudo, lógico.

Mas como nada vai para frente naquela Corregedoria, a começar pela falta de conhecimento dos corregedores a respeito do regimento interno da Casa e do Código de Ética, o caso de Vaillant, que também é corregedor, não será diferente. E os argumentos já estão prontos.

Um deles será que todas as supostas irregularidades foram cometidas no mandato passado. Argumento já conhecido, pois foi o mesmo utilizado para não investigarem o deputado Luiz Carlos Moreira (PMDB) nesta legislatura. No final de 2006, o peemedebista chegou a ser cassado pela Justiça, devido ao seu envolvimento com os escândalos da Era Gratz. Mas nem isso foi suficiente.

Ao falar de seu processo, Vaillant ainda ironiza, brinca com a situação e não parece nem um pouco preocupado. Mas ele não tem motivos mesmo. Tudo está sendo arquitetado nos bastidores e o assunto não deverá tirar o sono de ninguém daquela Casa.

Semelhante ao caso do Freitas, Vaillant foi orientado por seu colega de partido, o presidente da Assembleia, Elcio Alvares (DEM), a solicitar a investigação contra si. O ex-pastor ainda faz revelações: "Ninguém será encontrado para depor."

As avaliações feitas pelos demais parlamentares em plenário é que o caso só servirá para desgastar ainda mais a imagem de todos num período em que a maioria luta para conseguir a reeleição. Mas quem decide pagar esse preço são os próprios deputados, que se omitem e dão lugar ao corporativismo da base governista, pois todos são aliados e ninguém pode ir contra ninguém.

  • Constrangimento. Na inauguração das novas instalações da empresa Tegma, na tarde de ontem, o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) ficou um pouco constrangido. E com razão.
  • Esqueceu. Em seu discurso, o presidente do Conselho Administrativo do Grupo Coimex, Otacílio Coser, cumprimentou a deputada Luzia Toledo (PMDB), mas nem por nada lembrou o nome de Hércules. Daí saiu-se com essa: "Quero cumprimentar também os demais deputados." Eram os únicos no evento.
  • Chuva. E o temporal que atinge o Estado desde a noite de terça-feira não dá trégua. O governador Paulo Hartung (PMDB) iria para o Norte hoje, mas cancelou suas agendas devido às condições climáticas.

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